Seguranças de shopping vão usar câmeras no uniforme

Com prazo máximo de um ano para implantação, legislação sancionada por Bruno Reis desagrada setores comerciais

Os profissionais que trabalham no Salvador Shopping já utilizam câmeras de monitoramento nos uniformes – Foto: Olga Leiria

Os seguranças de shopping da capital baiana estão obrigados a usar câmeras de vigilância nos uniformes. Após o prefeito de Salvador, Bruno Reis, sancionar a lei na última quinta-feira, os locais precisam realizar gradativamente a instalação no prazo máximo de um ano após a publicação no Diário Oficial do Município.

A diretriz aponta para a necessidade dos equipamentos de captura e registro de imagens terem resolução para a identificação dos infratores ou da situação ocorrida, como ferramentas de zoom e opção de impressão, com sensibilidade à luz compatível com a iluminação local.

A Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) apoia a medida. Em Salvador, pelo menos quatro shoppings, já instalaram câmera há mais de seis meses. Entre eles, o Salvador Shopping usava em formato de teste.

“É importante para o consumidor que está no shopping, para a administração e também para o vigilante, porque pode esclarecer determinadas situações e chegar na verdade”, afirma o coordenador regional Abrasce, Edson Piaggio

Em contrapartida, ele discorda da exigência de preservar as imagens por, no mínimo, um ano, o que geraria custo alto. “É desnecessário. Os shoppings que já estão praticando isso dizem que, quando há necessidade de verificar, é logo depois do ocorrido. No máximo, um ou três dias depois. Nunca foi requisitado pelo poder judiciário ou pela polícia uma imagem. Nossa proposta é que seja no máximo em 60 dias da forma que está sendo feito atualmente”.

Os shoppings também responderão civil, penal e administrativamente ao utilizarem de forma irregular as imagens e os sons armazenados pelas câmeras, além de descartar antes do prazo. As administradoras dos shoppings e a segurança pública deverão fiscalizar o cumprimento das regras.

Já o Sindicato dos Vigilantes da Bahia (Sindvigilantes) lamenta a sanção da lei, considerando uma solução simplista para o conflito social verificado nestes centros comerciais.

A entidade afirma, em nota, que os serviços de segurança não estão voltados somente para a delinquência comum, mas para um ordenamento do espaço, principalmente em relação a jovens carentes, pedintes e pequenos vendedores.

De acordo com o sindicato, a Câmara de Vereadores, a Prefeitura de Salvador e os demais grupos envolvidos não escutaram os trabalhadores e suas organizações, perdendo a oportunidade de realizar o debate e encontrar respostas para as questões de exclusão, fome e carência de pessoas. “Os conflitos com este público acontecem a todo instante, mas os shoppings e o poder público preferem escamotear o problema, insistindo no viés da repressão e da exclusão”.

*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira

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