Famílias vão pagar reajuste de 13% na mensalidade escolar em 2023

Economista e consultora financeira Izabela destaca que tem mensalidade escolar superior à média salarial – Foto: Rafaela Araújo | Ag. A TARDE

Quem tem criança em escola particular vai precisar de um pouco mais de ginástica para fazer caber no orçamento já combalido o reajuste médio de 13% no valor das mensalidades em 2023. O índice não é oficial, porque o mercado é livre, mas confirmado como referência pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe), e também através de pesquisa de preços realizada por A TARDE com instituições tradicionais da capital.

No Colégio Antônio Vieira, por exemplo, a correção média é de 12%. Mas o pai de aluno que migrou do nono ano do fundamental II para o primeiro ano do segundo grau, a título comparativo, terá de lidar com um salto de quase 30% (R$ 2.690), em relação ao que pagava na série anterior (R$ 2.035). Nesse caso, contudo, a mudança de graduação, a alteração das disciplinas e a qualificação “diferenciada” dos professores explicariam a majoração ainda maior do preço.

No Maristas e Anchieta (da Pituba), o aumento médio das mensalidades também variou 12%. No primeiro exemplo, o novo valor do primeiro ano do segundo grau em 2023 será de R$ 2.613 (já com módulos), contra R$ 2.347 cobrado este ano. Já o quinto ano do primeiro grau pulou de R$ 1.705 para R$ 2.008. No Anchieta, o primeiro ano do segundo grau passou a ser R$ 4.02,25, contra R$ 3.567,35 em 2022. O novo valor do quinto ano (Aquárius) é R$ 3.173,50.

No Colégio São Paulo, o preço 2023 para o primeiro ano do segundo grau é de R$ 3.616, 25, o quinto ano, R$ 2.143,5. Os valores vigentes não foram fornecidos.

Há também casos de escolas que não irão reajustar os preços nessa virada de ano, exemplo do Gregor Mendel, que manterá o valor de R$ 3.356 para o primeiro ano do segundo grau, e R$ 2.295 o quinto ano. Com preços mais módicos, no Salesiano (unidade Nazaré) a correção média é de 9%. O primeiro ano do segundo grau passou de R$ 1.820 para R$ 1.980; e o quinto ano, de R$ 1,5 mil para R$ 1.635.

De acordo com o presidente do Sinepe, Jorge Tadeu Coelho, as escolas possuem a obrigação de demonstrar planilha de custos atualizada que reflita a necessidade do reajuste na mensalidade de um ano para o outro. Ele ressalta, no entanto, que cada empreendimento possui uma realidade. O sindicato representa cerca de 800 estabelecimentos no estado. Desde o início da pandemia de coronavírus, cerca 30 escolas encerraram as portas na Grande Salvador.

Segundo Coelho, esse cenário gerou a migração de cerca de 20 mil estudantes da esfera privada para a rede pública, pressionando o segmento. Ainda segundo o dirigente, os principais desafios do setor passam pela padronização dos índices de qualidade de ensino e das instituições (documentação, contratação de profissionais, plano pedagógico).

Para o presidente da Frente Nacional de Defesa do Consumidor (Fenadecon), Filipe Vieira, um bom caminho para os pais na busca por uma escola que atenda as expectativas de aprendizado e ensino da família, mas que fique bom de pagar, é procurar através do plano de aplicação pedagógica da instituição. Segundo o advogado, o documento, além de tratar da proposta educacional (se religiosa, inclusiva, tradicional, entre outras), traz informações contratuais e financeiras relativas à saúde da empresa.

Com a experiência de 13 anos de Procon Bahia, quatro como superintendente, Vieira sugere para o responsável pesquisar os estabelecimentos ainda pelos preços praticados; também negociar o valor final das prestações; atentar para  as unidades mais propensas à matrícula; argumentar se o aluno já é da escola, se serão duas crianças (obtendo desconto para a segunda);  apontar resultados positivos do aluno, seja desempenho acadêmico, ou esportivo.

Caneta e papel

“Não há nem deve haver órgão de controle dos preços, a atividade comercial é livre, vale a lei da oferta e procura. Porém, abusos podem ser coibidos, mediante denúncia em órgão de defesa do consumidor, ou reclamação formalmente registrada”.

A economista e consultora financeira Izabela Ferraz destaca os preços praticados nesta área, lembrando que muita mensalidade escolar é superior à média salarial, e que, além de apertar cintos, as famílias precisam ter na ponta da caneta e papel todas as despesas da casa e receitas, e priorizar ações.

E alimentação é a mais importante, ela diz, educação vem logo em seguida. “Os pais querem dar para os filhos a chance deles terem um futuro melhor”, fala.

Partir para a restrição total ou o chamado “gasto zero” também não ajuda, diz. “Questões de lazer e saúde fazem parte da vida. Mas almoçar fora de casa costuma ser até três vezes mais caro, dá para diminuir. Como vestuário, salão de beleza, estética. Rever operadora de saúde. Às vezes há seguradora oferecendo a mesma cobertura, mas que, porém, não disponibiliza o atendimento em um determinado hospital prestigiado, em que o custo chega à metade”.

“O dinheiro para a compra do material escolar tem de ser reservado o ano inteiro. Agora no final do ano, por exemplo, estabelecer se vai ou não presentar. Se sim, impor um limite, como R$ 500 entre todas as pessoas a serem presenteadas. Planejar o orçamento. É preciso calma e paciência nessa hora, reunir a família, menos as crianças, e combinar”.

Na casa da confeiteira e também economista, Cátia Vidal, a estratégia para pagar menos com escola foi ter “uma filha só”. Quem conta é o marido, bacharel em ciências contábeis, José Zacarias Junior. Com 16 anos, Maria Luísa, ou Malu, é aluna do terceiro ano colegial do Sartre COC (Itaigara).

Brincadeiras a parte, a história da família com relação à escola de Malu é de um verdadeiro périplo, sempre no sentido de conseguir desconto, uma condição de pagamento melhor que fosse. Começou na escolinha de bairro, preço mais em conta, e o casal conseguindo abatimento por pagar todo o ano letivo antecipado.

Com pouco mais de idade, veio uma escola infantil tradicional em Ondina, na qual o casal novamente precisou barganhar. E por último, antes do Sartre, um dos mais conhecidos colégios religiosos de Salvador, no qual eles gostariam que Malu formasse, mas a “inflexibilidade” e o corte de apenas 15% na mensalidade forçaram a mudança este ano.

Um desconto (através de prova de avaliação) de 45% + 5% (no débito agendado do valor todo mês) falou mais alto. E olha que Malu fez a prova um ano antes – por conta da pandemia, a família ficou receosa da mudança e resolveu esperar –, mas mesmo assim a escola manteve o combinado.

A mensalidade do terceiro ano do segundo grau em 2023, com o desconto de 50%, ficou em R$ 1.958. Na matrícula, contudo, o valor é cheio, R$ 3,4 mil –, porém, parcelado. “Pesquisamos bem a proposta de ensino, pagamos os módulos mensalmente, mas tem inglês de qualidade, o clima é ótimo, ela se ambientou bem, e ainda conseguimos levar outras duas crianças amigas de Malu para lá. Só ficamos tristes com a escola anterior, porque tentamos de tudo quanto foi jeito, escrevendo carta, mostrando as notas dela, mas eles foram inflexíveis“, afirma Cátia.

Foto: AT

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